Ciência de Dados

Avaliar o impacto de intervenções hospitalares de aleitamento materno na saúde infantil

Fiocruz

Apresentação do Projeto

  • O que é?

    Seu objetivo é acessar todas as 68,3 milhões de certidões de nascidos vivos no Brasil, entre 1994 e 2016, e compará-las aos programas de aleitamento materno em todos os hospitais brasileiros, de modo a avaliar o impacto destas iniciativas na saúde dos bebês. O estudo também pretende fazer uma estimativa do número de mortes evitáveis nesse período, caso as iniciativas tivessem sido adotadas.

  • Como foi o experimento?

    Primeiro, foram combinados dados dos sistemas brasileiros de certificados de nascimento e óbito, infraestrutura hospitalar e tecnologias de aleitamento materno em um único conjunto de dados. Segundo, o estudo foi dividido em três eixos principais de análise: tendências de mortalidade neonatal, mapeamento e agrupamento de maternidades, e a evolução e cobertura de políticas e iniciativas hospitalares pró aleitamento materno. Após esta etapa, esses eixos foram combinados em uma análise mais profunda para responder: como a cobertura das políticas e iniciativas hospitalares pró aleitamento materno está relacionada à mortalidade neonatal? As tecnologias pró aleitamento são efetivamente implementadas em regiões e hospitais com altas taxas de mortalidade neonatal? Como são distribuídos os grupos de maternidades hospitalares no Brasil? Finalmente, criou-se um algoritmo para parear maternidades semelhantes entre si em termos de infraestrutura e taxa de mortalidade neonatal para avaliar o impacto da implementação das políticas e iniciativas hospitalares pró aleitamento materno na morte neonatal.

  • Principais Resultados

    A mortalidade neonatal vem diminuindo no Brasil desde 2001, mas por volta de 2014 ela deixa de diminuir, mostrando relativa estabilização. Entretanto, as desigualdades regionais persistem, com as regiões Norte e Nordeste tendo a maior mortalidade neonatal e as regiões Sul e Sudeste a menor taxa no período. Também foi observado um comportamento sazonal da mortalidade neonatal , que tem picos (valores extremamente altos) próximos aos meses de dezembro e janeiro e vales (valores extremamente baixos) próximos aos meses de junho e julho.

    Em todo o Brasil, 425 maternidades têm a Iniciativa Hospital Amigo da Criança, o Banco de Leite Humano, ou ambos, estando mais concentrados  na região Nordeste. Há uma tendência constante de aumento da cobertura das políticas e iniciativas hospitalares pró aleitamento materno de 2008 a 2017, e em 2017 32,5% dos nascimentos brasileiros ocorreram em hospitais com políticas e iniciativas hospitalares pró aleitamento materno. Em conclusão, o impacto da implementação do das políticas e iniciativas hospitalares pró aleitamento materno é maior nas regiões com alta mortalidade neonatal e nas maternidades das regiões com mais de dez mortes/1000 nascimentos. Ambas as tecnologias de aleitamento materno, tiveram impacto na mortalidade neonatal nesses cenários de alta mortalidade neonatal.

  • Qual é o problema que busca solucionar?

    Os níveis ideais de amamentação podem evitar 13% de todas as mortes infantis evitáveis no mundo, salvando mais de 800.000 vidas por ano, principalmente pela redução da incidência de doenças infecciosas e prevenção de doenças crônicas na vida adulta. Apesar da cobertura nacional, da magnitude dos investimentos e do impacto potencial do IHAC, da MC e do BLH na saúde infantil e no apoio à amamentação, não há um mapeamento oficial de dados que converge esses três programas e iniciativas. Nem o impacto na saúde infantil de ter, um, dois, ou três deles no mesmo hospital é estudado.