O objetivo deste projeto é desenvolver e adotar uma medida inovadora para a idade gestacional – “dias potenciais de gravidez perdidos” (DPFP) – para gerar evidências de sua associação com a saúde materno fetal, com a morbidade e a mortalidade, no curto, médio e longo prazo. Além disso, visa convencer mulheres e legisladores sobre a necessidade de promoverem menos intervenções e “cuidados livres de danos” durante a gestação.
Foram gerados clusters de acordo com os dados das mães (sócio demográfico, obstétrico e classificação de Robson), e para cada cluster, foram construídas equações para estimar a idade gestacional com o menor risco aceitável. Além disso, a equipe construiu uma coorte de nascidos vivos e as suas mães, utilizando dados individuais do SINASC que abrange o período de 2012 até 2017.
Todos os modelos testados pelo grupo mostram diferenças significativas na Razão de Risco (Hazard Ratio) de mortalidade neonatal de acordo com os dias perdidos no período de termo precoce, confirmando que “cada dia conta”. As cesáreas de mulheres ricas e pobres são diferentes em termos de idade gestacional, atributos obstétricos e clínicos, sendo que as mulheres mais pobres apresentam piores desfechos, possivelmente refletindo diferenças no acesso à tecnologia para compensar os efeitos do dias potenciais de gestação perdidos (ex.: admissão na UTI neonatal). Para mulheres com gestações a termo, o risco materno de longas internações hospitalares e reinternações é maior em mulheres com gestações mais curtas.
É um indicador simples com grande potencial explicativo de prognóstico para mães e bebês, que pode ser usado como uma variável contínua em conjunto com os dados já disponíveis . Este é o primeiro estudo brasileiro a utilizar dias de gestação para medir a idade gestacional.
Quando a taxa de indução de trabalho de parto e cesáreas na população excede 10-15% de ocorrência, suas desvantagens superam os seus benefícios potenciais para mães e bebês, especialmente se realizadas antes de 39 semanas completas de gestação. No Brasil, a idade gestacional caiu devido à crença na segurança das intervenções de indução do parto. Além disso, estudos mostram que controlar as variáveis de confusão de morbidade sócio demográfica e materna, cesariana eletiva, mesmo a termo, estão associadas a um baixo desempenho escolar. O parto prematuro está associado a um risco maior de doenças crônicas infantis como asma, diabetes, obesidade, artrite, problemas neurológicos, alergias e certos tipos de cânceres como a leucemia.
Este indicador produziu evidências de apoio para explicar a inversão da desigualdade esperada. Ainda, o indicador serve para visualizar os danos de intervenções desnecessárias.
A equipe visa melhorar a visibilidade, especificidade e precisão das variáveis relacionadas às intervenções no parto, especialmente cesárea eletiva, cesárea intraparto e indução do parto, nos bancos de dados nacionais e do município de São Paulo. Isso permitirá uma análise do impacto da utilização adequada e inadequada dessas intervenções na morbidade e mortalidade perinatal e materna. Essa abordagem abrangente inclui análises descritivas e multivariadas, levando em consideração fatores como os grupos de Robson, os setores de saúde público e privado, equiplots e análise espacial da idade gestacional.