O projeto analisou a relação entre um programa de transferência condicionada de renda e a saúde infantil, utilizando duas abordagens diferentes: análise econométrica e algoritmos de data mining. Ao analisar os impactos de longo prazo do Bolsa Família na saúde das gerações futuras, este projeto investigou se o estado de saúde de uma criança, nascida de uma família cujas avós eram beneficiárias do programa de transferência de renda, é melhor do que o de uma criança cujos avós não recebiam o mesmo benefício.
O estudo foi dividido em duas fases. A primeira fase foi dedicada à avaliação do impacto intergeracional do Programa Bolsa Família e seus efeitos positivos na melhoria da saúde de crianças em condições de vulnerabilidade. Na segunda fase, o objetivo foi identificar em quais contextos o Programa Bolsa Família trouxe mais ganhos para a saúde de recém nascidos.
Ambas as metodologias indicaram que famílias participantes de transferências de renda condicionais possuem melhores indicadores de saúde ao nascer. Os resultados indicam que uma maior chance de participação da avó no BF está associada a uma menor incidência de peso baixo ao nascer, peso muito baixo ao nascer e malformação congênita no neto (a).
A mineração de dados apontou o BF como fator relevante em grupos com uma menor incidência de peso baixo ao nascer e malformação congênita, enquanto que a abordagem econométrica encontrou relação significativa entre a presença do BF durante a gravidez e menor incidência de peso baixo e nascimento pré-termo. Contudo, a relação é superior quando se trata de preso baixo aos nascer. Portanto, o fato de as transferências de renda condicionais não terem aparecido nos grupos relativos à prematuridade não significa que esta não seja uma variável relevante, mas que há variáveis com maior relevância.
Vários estudos mostraram a relação entre o acesso ao PBF e as condições de saúde de mães e crianças. A adesão ao PBF está positivamente correlacionada, por exemplo, com o uso dos cuidados de saúde, peso no nascimento, qualidade da dieta e menor mortalidade infantil. Contudo, ainda não existe literatura que analise se o PBF tem impacto nas decisões dos agregados familiares enquanto estes recebem o benefício, ou se o programa contribui para mudar as escolhas das pessoas, influenciando os resultados de saúde das gerações futuras.
Para garantir o sucesso do PBF, é essencial identificar as condições nas quais a transferência de renda atinge os seus objetivos. Este estudo identificou os fatores que impedem as crianças de ultrapassar as armadilhas da pobreza, apesar dos esforços do PBF.
Através deste estudo percebe-se a importância das transferências de renda condicionais enquanto o elemento que pode contribuir para a geração de igualdade de oportunidades. As desigualdades socioeconômicas em uma dada geração estão presentes desde o momento de sua concepção. Estas e outras políticas públicas que visam prover melhores condições socioeconômicas para famílias em situação de vulnerabilidade social são fundamentais para garantir o pleno desenvolvimento aos recém-nascidos.
As próximas etapas desse trabalho consistem no refinamento dos resultados encontrados através da identificação dos subgrupos com piores e melhores resultados a nível de municípios e também com grupos populacionais específicos, entre eles crianças com mães adolescentes, crianças com mães analfabetas, crianças quilombolas e crianças indígenas.