Ciência de Dados

Observatório Obstétrico Brasileiro

Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

Apresentação do Projeto

  • O que é?

    O OOBr é uma plataforma interativa de monitoramento, análises de dados públicos (saúde, socioeconômicos e ambientais) cientificamente embasados e disseminação de informações relevantes na área da saúde materno-infantil.

  • Como foi o experimento?

    Os dashboards foram desenvolvidos no ShinyApps, e todas as análises foram realizadas no software R gratuito. A documentação e os dados incorporados em cada dashboard estão disponíveis para garantir a reprodutibilidade e a transparência. Os métodos utilizados em cada artigo podem ser encontrados nas publicações específicas do projeto.

  • Principais Resultados

    O painel OOBr é um painel dinâmico que analisa dados de vacinação contra a COVID-19 e casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em mulheres grávidas e puérperas. Ele também fornece informações sobre os óbitos de mulheres grávidas e puérperas registrados no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Brasil, além de indicadores de qualidade dos dados públicos relacionados à saúde materna em níveis nacional, estadual e municipal. Os usuários podem selecionar variáveis de interesse e analisá-las por meio de tabelas cruzadas e gráficos, com várias opções de seleção. A menor unidade de análise é no nível municipal. O painel é atualizado semanalmente assim que novos dados são disponibilizados pelo Ministério da Saúde.

    Os principais resultados incluem uma análise dos óbitos maternos por COVID-19, destacando desigualdades significativas no acesso a serviços de saúde entre diferentes estados brasileiros. A taxa de letalidade em unidades de terapia intensiva (UTIs) variou de 20,3% a 88,3%. O acesso a UTIs entre as mulheres que morreram variou de 0% a 50%, e a ausência de ventilação mecânica entre as mulheres falecidas variou de 0% a 51,5%. As mulheres puérperas apresentaram maior probabilidade de desfechos graves em comparação com as gestantes, com chances de internação em UTI 1,97 vezes maiores, necessidade de ventilação mecânica invasiva 2,71 vezes maior e óbito 2,51 vezes mais provável em comparação às gestantes. Em 2021, embora todos os pacientes hospitalizados no Brasil apresentassem maior probabilidade de desenvolver desfechos graves de COVID-19, a população materna enfrentou riscos ainda maiores, com uma razão de chances (OR) de 2,60 para óbito, quase o dobro da OR de 1,44 observada em outros grupos populacionais. Para mulheres não grávidas, a OR foi de 1,31. Além disso, gestantes e puérperas apresentaram maior probabilidade de necessitar de cuidados intensivos e intubação, bem como maior chance de apresentar dessaturação de oxigênio em 2021 em comparação ao primeiro ano da pandemia.
    Uma análise do impacto de doenças cardíacas em gestantes e puérperas hospitalizadas por COVID-19 revelou que pacientes com doenças cardiovasculares (DCV) tinham maior probabilidade de internação em UTI (OR = 1,22, IC 95% 1,10–1,35) e intubação orotraqueal no terceiro trimestre (OR = 1,30, IC 95% 1,04–1,62) em comparação com pacientes sem DCV. Uma avaliação de casos de COVID-19 por raça indicou que indivíduos negros e pardos representaram uma porcentagem maior dos óbitos na população materna hospitalizada por SRAG.
    Uma análise de coorte retrospectiva comparou os perfis demográficos, aspectos clínicos e taxas de mortalidade de 5.888 mulheres hospitalizadas durante a pandemia de influenza H1N1 (2.190 grávidas e 3.698 não grávidas) e 64.515 hospitalizadas durante a pandemia de COVID-19 (5.151 grávidas e 59.364 não grávidas), utilizando dados do banco de dados SIVEP-Gripe.
    Por fim, uma análise do efeito da vacina contra a influenza em gestantes e puérperas com casos graves de COVID-19 mostrou que receber a vacina contra a influenza reduziu as chances de internação em UTI em 38%, as chances de necessidade de suporte mecânico invasivo em 47% e as chances de óbito por COVID-19 em 67% entre gestantes e puérperas que apresentaram formas graves da doença.

  • Qual é o problema que busca solucionar?

    Facilitar o acesso a dados públicos de maneira responsável e bem organizada é fundamental para a sociedade. Esse acesso capacita os indivíduos a obter informações, auxilia os gestores públicos na tomada de decisões baseadas em evidências e garante que os debates sobre políticas públicas sejam fundamentados em dados confiáveis. No campo da Obstetrícia, há debates em curso sobre políticas públicas que afetam gestantes, fetos e recém-nascidos, os quais frequentemente não se baseiam em dados científicos ou análises abrangentes de dados públicos.

  • Implicações para o Sistema de Saúde Brasileiro

    Os achados do Observatório podem embasar discussões sobre políticas públicas e demonstrar a importância das Ciências de Dados na área da saúde, especialmente na saúde materno-infantil. É importante destacar que uma equipe multidisciplinar composta por estatísticos, cientistas da computação, obstetras e pediatras contribuiu significativamente para o sucesso do projeto

  • Próximos Passos

    Os painéis de visualização já disponíveis continuarão sendo atualizados e a equipe pretende realizar novas pesquisas a partir da análise dos dados públicos e ser uma referência de informações na área de saúde materno infantil

Estudos Publicados