O projeto investigou os efeitos individuais e coletivos da exposição a múltiplos poluentes ambientais (material particulado, monóxido de carbono, ozônio, dióxido de nitrogênio e dióxido de enxofre) e de queimadas nos desfechos neonatais adversos como prematuridade, baixo peso ao nascer e anomalias congênitas e nas principais causas de internação hospitalar na população infantil (até 5 anos de idade). A metodologia proposta utilizou o novo banco de dados do Sistema de Informações Ambientais (SISAM) que contém medidas diárias de exposição aos poluentes estudados em todos os municípios brasileiros e os bancos de dados nacionais do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), Sistema de Internações Hospitalares (SIH) e Sistema de Informação Sobre Mortalidade (SIM), nos 5.572 municípios brasileiros, no período de 2012-2018. A realização de análises robustas em virtude da quantidade de dados analisados possibilitou a maior contribuição na área, que é a recomendação para uma revisão dos limites críticos de exposição aos poluentes, informação essa que é importante para a formulação de políticas públicas na área ambiental e da saúde.
Primeiro foram calculados os odds ratios (via modelo de regressão logística e utilizando um desenho de estudo ecológico), das associações entre a exposição à poluição do ar ambiente (PM2.5, CO, NO2, O3) e focos de incêndio durante a gestação e os desfechos escolhidos: Prematuridade, Baixo peso ao nascer, Anomalias congênitas e Internações hospitalares em menores de cinco anos. Depois esses resultados foram comparados com os limites de qualidade do ar estabelecidos pelo CONAMA e recomendados pela OMS (interim targets) para cálculo do percentual de atribuição dos desfechos e número de casos preveníveis na hipótese de revisão dos limites.
O estudo mapeou os índices de exposição aos poluentes e queimadas, exposição média aos principais poluentes por município, evidenciando a heterogeneidade da exposição. Distribuição dos desfechos de saúde materno infantil, análises no período de 2012-2018, por conta da alteração na tabulação da idade gestacional no SINASC em 2011. No total, 17.393.005 nascidos vivos no Brasil foram incluídos no estudo. Impacto da exposição aos múltiplos poluentes e às queimadas na saúde materno infantil, efeitos individuais e coletivos da exposição por estado e município. Os resultados do estudo evidenciaram um impacto importante da exposição aos poluentes com consequentes desfechos adversos de nascimento e hospitalizações, como nascimentos prematuros, anomalias congênitas e hospitalizações. O baixo peso ao nascer está diretamente correlacionado com a prematuridade. Uma vez que os limites críticos estabelecidos pelo CONAMA são muito mais altos do que os níveis de exposição toleráveis, optou-se por utilizar os valores almejados pela OMS (interim targets) nas diretrizes de qualidade do ar revistas em 2021. No caso das queimadas, não há proposta de diretriz sugerida pela OMS ou CONAMA. Além da apresentação dos resultados em razões de chances e intervalos de confiança, a fim de facilitar o entendimento e alertar os gestores e formuladores de políticas públicas sobre a gravidade do problema, definiu-se a apresentação dos resultados na forma de percentual de casos atribuíveis à exposição ao poluente e número de casos de cada desfecho que poderiam ser prevenidos, caso houvesse uma redução de uma unidade de emissão dos poluentes